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Viver o dharma

Aqui tens o texto completo com as correções aplicadas, mantendo a tua voz e a força da mensagem, mas garantindo a correção gramatical e a grafia adequada dos termos técnicos:

Ora vamos lá esclarecer as coisas!

Há muitos anos que leio e ouço comentários e respostas a publicações que faço sobre o confronto entre a espiritualidade e a minha forma de ser. Como raramente publico textos sobre mim mesmo, desta vez permiti-me o esclarecimento, puramente para informação de incautos.

Eu dedico-me, de alguma forma, ao estudo de Shastras, Tantras e Vedas. Não me dedico a estudos bíblicos por pura falta de interesse. Prezo imenso a minha coerência de vida com aquilo que ensino, e quem faz parte das minhas aulas sabe perfeitamente do que falo e de como o defendo e esclareço.

A espiritualidade desenraizada, e recheada de "macacos no armário", é algo com que não me identifico. Assim, quando me dizem algo do género "isso não é nada espiritual", só me preocupa a noção que as pessoas têm de espiritualidade.

Vamos lá do início: a palavra deriva do latim "spiritualitas", que por sua vez provém de "spiritus". No entanto, a verdadeira chave está no verbo latino "spirare", que significa literalmente soprar ou respirar. Na Antiguidade, o "espírito" (spiritus) era o sopro vital. Era aquilo que distinguia um corpo vivo de um corpo morto: a presença da respiração. Por extensão, o termo passou a designar o princípio invisível que anima a matéria, a força que dá vida e movimento.

Isto serve somente para diferenciar aquilo que me "anima". Não é a religião! Essa tem princípios bastante diferentes da espiritualidade e confesso que, na maior parte das vezes, quem a advoga vive pouco em consonância com eles. Convivo com católicos, muçulmanos, espíritas, entre outros, e poucos são absolutamente coerentes. Como tal, eu não sou religioso, sou dhármico (viver em alinhamento com a ordem cósmica, a lei universal e o dever ético). No contexto das tradições orientais — Hinduísmo, Budismo, Jainismo e Sikhismo — não é apenas seguir um conjunto de regras, mas sim viver de forma a sustentar a harmonia do universo e de si mesmo. No Rig Veda diz-se: ekam sat vipra bahuda vadanti – a verdade é uma, mas os sábios falam dela de formas diferentes.

O que quer dizer que, a partir do momento em que a verdade é questionada, entendida e justificada, será sempre válida para quem a professa. Isto implica, obviamente, a dita coerência de vida com o que se apregoa. Implica que tudo o que é dito "da boca para fora", sem forma de questionamento, não me é válido.

Viver de forma dhármica implica ter opiniões, critérios e fazer julgamentos sobre coisas, momentos, pessoas, relações e filosofias de vida que expressem quem eu sou enquanto personalidade. Essa personalidade é válida na existência material, mas não classifica a alma (Atman). Para que fique claro, irei mudar de opinião mil vezes e expressá-las outras tantas. Nenhuma dessas opiniões que eu próprio expresso é realmente muito importante. O importante é aquilo que elas fazem mover e de que forma fluem no rio que navego. A intenção nunca será agradar ou desagradar, será sempre colocar algo em movimento. Até eu me surpreendo com o sítio onde elas chegam sem que eu tenha qualquer controlo. Coerentemente comigo mesmo, irei continuar a dar as opiniões que me apetecer no contexto em que me for permitido.

 
 
 

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